Recuerdos de la Alhambra, de Francisco Tarrega
Gravação de Antonio Carlos Guedes, realizada no Estúdio Cantareira
Segue abaixo um texto escrito pelo renomado compositor Gilberto Mendes, sobre esse grande intérprete e professor.
” O outro concerto foi de Antonio Guedes.Diz seu curriculum que ele iniciou seus estudos musicais com seu pai, depois continuando com Isaías Sávio; que já realizou concertos em diversas cidades do Estado de São Paulo e que, a partir de 1978, passou a estudar com Henrique Pinto. Mas o importante, a saber, é que Antonio Guedes é um metalúrgico, que nas horas vagas de seu trabalho na fábrica, adquiriu com grande força de vontade a vigorosa personalidade musical que pudemos conhecer em sua exibição.
Assim foi temperado o aço, diz o título de um velho romance operário. Assim foi temperada a técnica e a concepção de interpretação de Antonio Guedes. É interessante verificar como a vivência de um homem se projeta em sua realização artística. A interpretação de Antonio Guedes, além de tecnicamente impecável, é de uma musicalidade que poderíamos chamar de humana, máscula, enxuta, dita, sem o maneirismo da interpretação profissional estrelística, vaidosa, exibida, da maioria dos chamados artistas.
Que aberração, essa coisa de alguém pretender ser um artista, um intelectual, que pretensão mais classista! E ainda pretender ser respeitado, admirado em sua posição elitista, como se fosse um ídolo, como acontece principalmente na música popular. Todo mundo é igual. Quem escreve, quem toca, quem faz música, deve se sentir parte do povo, não alguém acima dos outros, intelectualmente, artisticamente.
Senti frente a Antonio Guedes um respeito, uma admiração que jamais senti frente a Segóvia e outros mestres do violão. Nestes admiro a técnica, a arte. Em Antonio Guedes, o metalúrgico, admiro o homem e o artista, numa só pessoa. Todos nós deveríamos ser trabalhadores intelectuais e trabalhadores manuais, ao mesmo tempo.
Nos trêmulos românticos do violão de Antonio Guedes, sentia-se o calor de mãos trabalhadoras; dedilhando o sentimento do homem, desde John Dowland, Scarlatti, até Granados, A.Barrios, Villa-Lobos.”
quarta-feira, 20 de julho de 2011 - 21:00
Publicado por estudio-cantareira, em
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Estúdio Cantareira,
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