Jornal Entreposto - Junho

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Aspectos da comercialização de plantas medicinais
Por Marcos Roberto Furlan*

Roberto Furlan, coordenador do curso de agronomia da Faculdade Cantareira.

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A Organização Mundial de Saúde observa que o uso de plantas medicinais é prática tradicional existente entre os povos de todo o mundo. Com relação aos gastos com o consumo de produtos naturais, foi observado aumento de 14,5 bilhões de dólares em 1997 para 49,7 bilhões de dólares em 2007, sendo estimado para o Brasil, neste ano, gasto de um bilhão de dólares e 60 bilhões de dólares no comércio mundial, com taxa anual de crescimento de 5% a 15%.

E quem lê tanta notícia na mídia sobre as vantagens, inclusive com comprovação científica, das plantas na cura ou prevenção de doenças, imagina que é um mercado potencial para obter bons lucros no cultivo.

No entanto, o Brasil importa grande quantidade das plantas medicinais que utiliza porque são raros os produtores e a maior parte das plantas obtidas no país ocorre por meio do extrativismo, que resulta em material de má qualidade além de aumentar o risco de extinção da espécie coletada.

Mas porque não encontramos com facilidade produtores de plantas medicinais? Uma das justificativas é de que o agricultor encara o que cultiva como sua atividade profissional e assim como o profissional liberal, não muda com facilidade de área, principalmente porque tem muito tempo e conhecimento investido. Outros motivos são: o fato de que por não ser produto comestível, há maiores incertezas na demanda, também porque quem cultiva plantas medicinais tem que estar atento às informações sobre as pesquisas com relação à aplicação na saúde e por serem escassas as informações agronômicas sobre a grande maioria das espécies medicinais.

Importante realçar que a condução do cultivo tem que ser diferenciada, pois o valor da planta se dá em função do princípio ativo produzido e este é produzido com o objetivo de proteção do vegetal, isto é, se não provocar determinados estresses na planta pode ser que a planta não produza ou tenha baixo teor da substância.

Em relação ao cultivo de plantas medicinais, deve se destacar que é uma das etapas que mais pode interferir na produção de um fitoterápico, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo. Portanto, se não forem utilizadas as boas práticas de cultivo, o produto gerado pode ser inócuo ou com alto índice de contaminantes.

Sobre a cadeia do agronegócio “plantas medicinais”, o material colhido pode ser destinado aos atacadistas, para as indústrias de fitoterápicos e para outras indústrias que irão utilizar a planta como um todo ou extrair o princípio ativo para utilizar nos medicamentos. É importante realçar que mesmo in natura tem sido detectado um aumento significativo na procura.

Uma dica para quem queira começar na área é não iniciar o plantio e começar com o extrativismo de espécies espontâneas que não correm risco de extinção e que são comumente denominadas de daninhas. Entre elas, podem ser citadas a erva-de-são-joão (Ageratum conyzoides) e a tanchagem (Plantago major), quem possuem usos reconhecidos e alcançam valores interessantes. É importante que o produto colhido e seco seja de ótima qualidade, de forma que demonstre a eficiência do produtor.

*O professor Marcos Roberto Furlan é coordenador curso de Agronomia da Faculdade Integral Cantareira




http://www.jornalentreposto.com.br/colunas/artigos/1152-aspectos-da-comercializacao-de-plantas-medicinais
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